Neurologia Vascular · AVC

AVC Criptogênico: quando a causa do derrame não aparece nos exames convencionais

Por Dr. Dkaion Vilela de Jesus · Neurologista Vascular · CRM-GO 25701

Imagine receber o diagnóstico de AVC — derrame cerebral — com menos de 50 anos, sem hipertensão, sem diabetes, sem colesterol elevado, sem fibrilação atrial. Os exames convencionais voltam normais. O cardiologista não encontra nada. A ressonância não mostra doença dos vasos. E a pergunta que fica sem resposta: por que aconteceu?

Essa situação tem um nome técnico: AVC criptogênico. Criptogênico significa, literalmente, "de origem oculta". E é mais comum do que a maioria das pessoas imagina — estima-se que entre 25% e 40% dos AVCs isquêmicos não têm uma causa definida após a investigação inicial padrão.

O que muitos pacientes — e até alguns médicos — não sabem é que a investigação padrão pode estar incompleta. Existe uma causa frequente, tratável e subdiagnosticada: o forame oval patente, também chamado de FOP.

O que é o forame oval patente (FOP)?

Durante o desenvolvimento fetal, o coração possui uma abertura entre as câmaras superiores (átrios) chamada forame oval — ela é necessária para a circulação do bebê antes do nascimento. Em condições normais, essa abertura se fecha nos primeiros meses de vida.

Em aproximadamente 25% da população adulta, esse fechamento não ocorre completamente. O resultado é um "túnel" microscópico entre o átrio direito e o átrio esquerdo, que permanece fechado em repouso, mas pode se abrir momentaneamente quando há aumento de pressão — como ao tossir, fazer esforço ou realizar uma manobra de Valsalva.

Esse pequeno orifício permite que pequenos coágulos formados no lado direito do coração (ou nas veias das pernas) passem diretamente para o lado esquerdo e sigam em direção ao cérebro — causando um AVC sem que haja nenhuma doença cardíaca ou vascular detectável nos exames convencionais.

Dado importante: estudos mostram que o FOP está presente em até 50–60% dos pacientes jovens com AVC criptogênico — comparado a cerca de 25% na população geral. Essa diferença não é coincidência.

Como o FOP é detectado: o papel do Doppler Transcraniano com Microbolhas

O ecocardiograma — exame padrão do coração — frequentemente não detecta o FOP, especialmente quando a abertura é pequena ou quando o exame é realizado sem o protocolo adequado. O Doppler Transcraniano com Microbolhas (DTC com microbolhas) é considerado atualmente um dos exames de maior sensibilidade para essa investigação.

Como o exame funciona

O DTC com microbolhas utiliza um ultrassom posicionado nas têmporas para monitorar o fluxo sanguíneo nas artérias cerebrais em tempo real. Durante o exame, é injetada uma solução salina agitada — microbolhas de ar — na veia do braço. Em condições normais, essas bolhas são filtradas pelo pulmão e nunca chegam ao cérebro.

Se existir um FOP, as bolhas atravessam o orifício cardíaco, passam para o lado esquerdo do coração e chegam à circulação cerebral — onde são detectadas pelo ultrassom em tempo real. O número de bolhas e a velocidade com que aparecem ajudam a quantificar o tamanho do shunt (a passagem anormal).

Por que o DTC é vantajoso?

O que acontece depois do diagnóstico?

A identificação do FOP muda completamente a abordagem do caso. Com base nos achados do DTC, nas características clínicas e em outros exames, o neurologista vascular pode indicar:

A decisão entre as opções leva em conta o tamanho do FOP detectado, a presença de aneurisma do septo interatrial, a idade do paciente, o perfil de risco individual e as características do AVC. Por isso, a correlação clínica integrada ao resultado do exame é fundamental — e é exatamente o que diferencia uma investigação completa de um laudo isolado.

Quando investigar?

A investigação com DTC com microbolhas está indicada principalmente para:

Se você ou alguém próximo teve um AVC sem causa definida, não encerre a investigação no laudo de "normal". Existe uma etapa a mais que pode mudar o tratamento — e prevenir um novo evento.

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Dr. Dkaion Vilela de Jesus

Neurologista Vascular · CRM-GO 25701 · RQE 17018
Fellowship em Neurologia Vascular — HUGO (2024)
Membro da AAN e da Sociedade Brasileira de AVC

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